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Homenagem a Tonton

Por António Tavares
Fotos: Policiano Gomes


Foto da Catedral

Entrevista exclusiva concedida ao Site da Sê Catedral de Bissau.

Já era sem tempo a homenagem a um dos grandes revolucionários da música sacra guineense.

Chama-se Valerie Sagna, conhecido por todos na Sê Catedral de Bissau, e noutras paróquias por Tonton.

Regressou ao país em 1990, pela iniciativa pessoal, para um intercêmbio entre as duas instituições bancárias: BIAO, do Senegal e BIG, da Guiné-Bissau.

Abraçou a música desde 1960 em Ziguinchor e antes de Maestro e Pianista foi Saxofonista.

É, e sente-se guineense como tal.

Marcas que o deixa feliz eacute por ter sido acolhido como filho na Sê Catedral de Bissau confiança nele depositado.

Foto da Catedral A música foi sempre a sua paixão.

Numa dupla com Paul a música sacra guineense conheceu novo rumo: mais africanizada, mais voltada a realidade guineense. Foi, a partir dos anos de 1990 até a data presente.

Quando e como é que nasceu essa paixão pela musica?

Tonton: : - Foi em 1960, em Ziguinchor, através do Cour Normal de Sacré Couer, o que significa, numa tradução literal, como Curso Normal do Sagrado Coração. Também nasci numa família apaixonada pela música. Isso contribuiu imenso na minha formação como músico. Aprendi a música com um frei canadiano. Comecei como saxofonista.

Como é que chegou a Guiné-Bissau? Foi o Paul quem o convidou a vir para o país?

Foto da Catedral Tonton: - Não. Foi de iniciativa pessoal. Vim como agente do Banque Internationel Occidentel, quando o Sr. Godinho era Governador do Banco Internacional da Guiné-Bissau, ( BIG ). Vim por causa dum intercâmbio que se fazia na altura, entre as duas instituições bancárias. Aqui é que conheci o Paul, não antes.

Como foi a relação com a Sé Catedral de Bissau em todos esses anos?

Tonton: - Foi de muita intimidade, de muita responsabilidade para mim e de muita confiança. Veja, optei pela S&circ Catedral porque é a Igreja Mãe, espelho da Guiné-Bissau. O nosso primeiro objetivo quando lá chegamos é fazer algo de novo. Paul descobriu-me através dum músico senegalês que indicou-lhe para colaborar comigo a fim de ter o meu apoio. Mais tarde fiquei com o grupo coral e prossegui com o trabalho com o Grupo Coral da Sê Catedral de Bissau e o Grupo Coral Diocesano, juntamente com o padre Imbombo.

Que marcas é que a Sê Catedral deixou em si e vice-versa?

Foto da Catedral Foto da Catedral Foto da Catedral
Tonton: - As marcas são para que haja continuidade da semente que foi lançada. Olha fundamos uma escola da música, com o padre Imbombo, que era para uniformizar a forma de cantar porque uma canção era cantada de diferente maneira e quando perguntamos respondiam que foi assim que aprenderam. Então era preciso fazer algo de novo para as pessoas tenham o mínimo conhecimento da música, a técnica de cantar. Uniformizar as canções através dum livro e para que todos possam ter uma única forma de cantar uma dada canção. Foi então que fundamos uma escola de música e começamos a ensinar...

Algumas pessoas conseguiram aprender algo. Dávamos as aulas do violão, teclado, solfejo, embora depois não houvesse a continuidade, visto que faltava um pouco de humildade para quem desejava aprender mais. É verdade que através dessa escola alguns aprenderam a tocar piano, violão e a semente ficou lançada.

Solfejar era mais difícil. Repara quem sabe solfejar não precisa aprender tocar piano. Respondendo sobre as marcas que a Catedral deixou em mim e que nunca vou esquecer é que fui acolhido como filho da Guiné, da Sê Catedral e acarinhado por todos.

Foto da Catedral Valeu a pena escolher a Guiné como país por onde emigrar?

Tonton: - Eu sou guineense de origem, simplesmente fiz um retorno à pátria. Todas os meus bisavôs são de cá. Os de Ziguinchor são de cá. É o mesmo povo. Os colonos é que os dividiram.

Tem algum conselho para os compositores de músicas sacras?

Foto da Catedral
Tonton: - Que inspirem sempre através da Bíblia. Que não inventam só para inventar. É pena que algumas composições sejam apenas folclóricas, de djumbai apenas.

Esta é a segunda homenagem, a primeira foi do Grupo Coral diocesano. O que significa para si?

Tonton: - É uma forma de reconhecimento do trabalho feito pela Igreja da Guiné e, sobretudo pela Sê Catedral de Bissau.

Sinto-me reconhecido e isso da-me mais alento, a saber, que tive uma missão e consegui cumpri-la com a graça de Deus.

O que eu peço como ultimas palavras é que haja a continuidade daquilo que foi feito até aqui. Para finalizar o Site de Catedral pediu que o Tonton entoasse uma canção composta por um guineense e que o marcou. Após alguma hesitação, entoou a canção do Padre Imbombo com as seguintes letras: Ami i quim pa bu tchoman , ami i ca nada, nsai di nada, di nada na riba... Acompanhamos a cantar e terminamos a entrevista em gargalhadas.