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O Pároco da Catedral Frei Victor Quematcha

"Se o guineense colocar um pouco de amor naquilo que faz estaremos em condição de ressuscitar com cristo"

Por António Tavares
Fotos: Gerima A. Fonseca

Foto da Catedral Entrevista ao Senhor Frei Victor Luís Quematcha, Pároco da Sé Catedral e responsável pela Custódia Franciscana na Guiné-Bissau, constitui a primeira entrevista efetuada pela equipa de Gestão do Conteúdo do Site da Catedral.

Eis as respostas do Frei Victor Luís Quematcha às perguntas efetuadas:


Frei Victor, qual deve ser a conduta dum cristão, antes e depois da quaresma?

Fr. Victor Quematcha. Em resposta a sua pergunta devo tomar como referência a mensagem do Papa Bento XVI, que insiste sobre três (3) pontos: Responsabilidade, Reciprocidade e Caminhar juntos na Santidade.

No que se refere ao primeiro ponto (a Responsabilidade), o antecessor do Papa Francisco considera que cada um de nós deve dedicar a sua atenção ao outro, zelar pela vida e pelo bem-estar do próximo. Com Reciprocidade, o Sumo Pontífice, quer transmitir-nos a mensagem de que recebendo dos irmãos devemos dar, ao próximo, cada vez mais e cada vez o melhor de nós. Caminhar juntos na Santidade significa, para Bento XVI, que ninguém deve sentir-se excluído da família cristã, excluído da Igreja. Juntos, devemos caminhar em direção à casa paterna. Ir ao encontro do irmão que está distante ou aquele que deixou de tomar parte nas celebrações e convidá-lo a voltar, chamando-lhe de irmão e dizendo-lhe que Deus o ama também. Essa comunhão, esse sentido de família deve ser expressa, afirmou o Papa.

Estamos a terminar o período de quaresma com a Semana Santa. Como está a ser vivido este período na sua paróquia?

Fr. Victor Quematcha. O período de quaresma, penso eu, está a ser vivido com uma intensidade espiritual. Tem havido, por parte dos nossos paroquianos e dos fieis em geral, muita participação na Via Sacra, o número dos que participam na adoração das quintas-feiras e dos que se apresentam para as confissões aumentou consideravelmente. Houve uma forte aderência à renuncia quaresmal. Segundo as orientações dos nossos bispos as renúncias quaresmais vão para os nossos irmãos, que neste momento estão presos. Vi nos fiéis um certo espírito de sacrifício, uma clara expressão de participação no sofrimento de Cristo, que deu a própria vida para o bem da humanidade.

Relativamente a um olhar sobre a vida na paróquia, devo aproveitar esta oportunidade que o Site da Catedral me está a conceder, para agradecer a todos os fiéis que estão empenhados na evangelização. A título de exemplo, essa iniciativa do Site da Catedral partiu dos paroquianos. Ter a iniciativa de pôr um instrumento como é o site ao serviço da evangelização é extremamente importante, nos dias que correm, dias marcados pela preponderância da tecnologia. Temos a equipa já formada e aproveito a ocasião para agradecer a disponibilidade de cada um de vós (os elementos que formam a equipa de gestão do Site). É de admitir que ao nível da nossa paróquia as atividades têm estado a correr bem, tem-se registado uma participação muito ativa dos fieis, graças a Deus. Todavia, admito que há coisas que devem ser melhoradas, mas isso com o tempo consegue-se. Tenho esperança!

Estamos numa espécie de auscultações, para recolher pareceres dos diferentes grupos da nossa paróquia e acho que isso vai ajudar a melhorar o nosso trabalho.

Da nossa parte (os frades), constitui um dever estar sempre presente e ao serviço dos paroquianos, mas nem sempre cumprimos com essa obrigação, apesar do auxílio das freiras. Somos apenas dois sacerdotes e um frade não sacerdote, que além da nossa missão de evangelização, ocupamo-nos do ensino. Enquanto Custódio e Pároco sinto-me, muitas das vezes, subcarregado. Gostaríamos de poder ter mais tempo, por exemplo, para atender as confissões durante cinco dias, mas só estamos disponíveis para atendê-las dois dias por semana. O que é manifestamente pouco para atender as necessidades dos nossos fieis.

Foto da Catedral Também deparamos com dificuldades de ordem material, é nosso desejo renovar a pintura da nossa Igreja, substituir a instalação eléctrica e os equipamentos de sonorização. Infelizmente, estamos limitados financeiramente! Contudo, contamos com a providência divina. Pode ser que alguém nos dê uma mãozinha, principalmente, para melhorar os equipamentos de som que já estão obsoletos e têm nos dificultado a comunicação, sobretudo, nas cerimónias.

Frei Victor, como é que o guineense pode ressuscitar com Cristo neste período conturbado que o país vive?

Fr. Victor Quematcha. É uma pergunta difícil de responder, uma pergunta diria mesmo provocatória para nós, os cristãos, mas é ao mesmo tempo muito interessante. Eu acho que Cristo, desde a sua nascença até a sua morte, fez sempre a entrega total a Deus e aos irmãos. Para ressuscitar com Cristo, o guineense deve entregar-se totalmente. Entregar-se totalmente à sua família, à Igreja e à sociedade. Entregando-se aos outros em nome do Deus, que é Deus de amor, eu acho que estaremos em condição de ressuscitar com Cristo. Devemo-nos deixar guiar pelo amor. Madre Teresa de Calcutá dizia que o importante não é o que fazemos, mas o que fazemos com amor. Dizia, ainda: não seremos julgados pela quantidade de coisas que teremos feito, mas seremos julgados pelo peso de amor que teremos colocado naquilo que fazemos. Ora, Se o guineense colocar um pouco de amor naquilo que faz estaremos em condição de ressuscitar com cristo Isto é, vencer o mal, vencer a morte. Porque foi precisamente o que Jesus fez, ressuscitando, mostrou-nos que é vitorioso, que venceu o mal, que venceu a morte. Com amor o guineense pode vencer a injustiça, vencer a corrupção, vencer todos os males que o aflige. Quero daqui lançar um apelo aos guineenses, em geral, a terem esperança, e a colocarem a sua fé em Deus, pois a última palavra não pertence ao mal e, sim à Deus todo poderoso e misericordioso.

O Frei tem algo a dizer sobre a Jornada do Bispo?

Fr. Victor Quematcha. As coisas estão a andar, apesar de termos iniciado as atividades relativamente cedo, neste momento estamos com um ligeiro atraso na preparação de alguns eventos, diria eventos acessórios. Mas, o objetivo principal, o espírito da jornada, que é a interação com o nosso Bispo, está assegurado. Queremos com a jornada proporcionar aos fieis uma espécie de djumbai com o nosso Bispo.